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Prosa Poética, no programa Tarde Ponto Com, por Mary Arantes: 'Pra que serve a arte'?

Por Mary Arantes, 31/01/2020 às 16:38
atualizado em: 31/01/2020 às 17:46

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Há quem pinte quadros pra combinar com o sofá, e há quem crie instalações artísticas, que nem podem ser levadas pra casa. Afinal arte é para tocar, sensibilizar. O papel da arte é ser revolucionária. Falamos aqui no fim do ano sobre um natal com brasilidade, e que deveríamos fazer mais uso das nossas referências culturais. E eis que meu sonho foi realizado em dezembro.

18 árvores da Avenida Barbacena, foram revestidas com flores de crochê, projeto capitaneado por Marco Lage, diretor de comunicação e sustentabilidade da CEMIG junto à Eneas Melo, da APAC- Santa Luzia, Associação de Proteção e Atendimento aos Condenados, com apoio do Instituto Minas Pela Paz.  Em todas as suas gestões como empresário, Marco eleva a arte, e especialmente neste caso, trás alento aos excluídos,  que vivem “à margem da margem”, pois acredita na recuperação e ressocialização dos detentos.

A coordenação do projeto foi entregue à artista Odette Castro, que durante 4 meses, uma vez por semana, foi ao encontro dos detentos do sistema prisional. Fazer crochê sempre fez parte da vida da Odette e assim como ela, os recuperandos já faziam crochê, mas era preciso deixar que o projeto chegasse ao coração de cada um, que tecessem flores com emoção. E foi assim, que 28 deles teceram 8 mil fores e alguns corações, que foi a forma, que um deles escolheu de como se expor ao mundo, amorosamente. Teceram livremente as flores, e durante o processo, a felicidade foi ficando estampada no rosto de cada um e o trabalho foi ganhando cor. O crochê como arte terapia, tão propagado pela doutora Nise da Silveira!

À medida que teciam as flores, Odette, em seu pequeno apartamento ia emendando, criando verdadeiros “canteiros”, mantos para cobrir árvores. Tudo teve um planejamento, ir ao local, medir as árvores, diâmetro do tronco e altura do chão até início da copa. Este trabalho teve fim, foi retirado após um mês de exposição, por questões ambientalistas. Pena, com certeza faria parte do roteiro turístico e artístico da cidade.

Odette teve uma filha, Beatriz, deficiente mental (sim, é assim que se nomeia corretamente) com uma rara síndrome, rubinstein. Quando Beatriz faleceu, aos 31 anos, Odette foi à Praça Nova York, perto de sua casa, amarrar uma flor numa árvore. Só depois desse gesto, é que anunciou a morte da filha. Assim nascia o projeto, Uma Flor Cura Uma Dor.

Uma flor de crochê, cura uma dor.

A arte e o crochê com seus papéis, ou seriam fios?

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