Rômulo Ávila

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Poupar ou não?

30/08/2019 às 06:45

Minha saudosa avó (e mãe) Geni sempre dizia que "quem tudo quer nada tem". Cresci com esse aprendizado, que pode ser aplicado no futebol, especificamente na situação atual de Atlético e Cruzeiro.

Os dois rivais dividem as atenções entre competições de mata-mata e o Brasileirão. O Atlético, por exemplo, está a três partidas de conquistar o título inédito da Sul-Americana. Já o Cruzeiro está a três de comemorar o sétimo caneco da Copa do Brasil. No entanto, a condição dos dois no Brasileirão é oposta: enquanto o Galo briga pelo G-4, a Raposa tenta não entrar no temido Z-4.  

É momento de escolhas. O Atlético parece ter priorizado, acertadamente, a Sul-Americana. Inclusive, o técnico Rodrigo Santana foi muito criticado por parte da imprensa e da torcida por ter poupado nove titulares na derrota por 1 a 0 para o Bahia, no Independência. A classificação tranquila diante do La Equidad-COL por 3 a 1 na Sul-Americana e a maratona de jogos prevista para setembro (oito em 30 dias) mostram que a opção do treinador foi a melhor.

Entendo o sonho do atleticano de ver o clube ser campeão brasileiro novamente, mas a chance de isso ocorrer nesta temporada é praticamente impossível (mesmo se o clube tivesse o Brasileirão como única disputa). Ou alguém, em sã consciência, acha que o elenco mediano do Atlético tem condição de brigar de igual por igual com Palmeiras, Flamengo, São Paulo, Grêmio e até mesmo o Santos em uma competição de pontos corridos? Pelo investimento e nível de contratações, a briga do Atlético no Brasileiro é por G-6 ou, no máximo, G-4.

O caso do Cruzeiro é um pouco diferente e tem relação direta com a péssima campanha do clube no Brasileirão após 16 rodadas. Em que pese a possibilidade de mais um título da Copa do Brasil, não há, neste momento, como não usar força máxima no Campeonato Brasileiro. Até acho que o Cruzeiro vai se recuperar no Brasileirão, mas não dá para correr o risco de iniciar o returno na zona da degola – ou perto dela.

Além do confronto direto contra o Vasco, neste domingo, no Mineirão, a Raposa tem Grêmio (em casa) e Palmeiras (fora) na sequência do turno. Por isso, na conjuntura atual, o melhor é ir com força máxima nas duas competições. 

Mesmo tendo perdido o primeiro duelo contra o Inter, no Mineirão, vejo a disputa por uma vaga na semifinal da Copa do Brasil aberta. A classificação do Grêmio sobre o Palmeiras, na Libertadores, é um exemplo de que no futebol não existe morte de véspera.

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