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Outros vírus

Do jornalista Nílson Souza

15/02/2020 às 11:44
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Não há nada mais contagioso do que o medo. (...)

Na semana passada, a estudante de Direito da Universidade do Rio Marie Okabayashi, brasileira descendente de japoneses, foi insultada por uma passageira no metrô fluminense, apenas por ter feições orientais. "Chinesa porca! Sai por aí espalhando doenças" - disse a xenófoba senhora, em vídeo gravado por outros passageiros e que servirá de prova para o processo judicial anunciado pela ofendida.

Temer é humano. Como não ter medo de um inimigo invisível e insidioso, capaz de passar de uma pessoa a outra pela simples respiração ou pelo toque inadvertido numa maçaneta de porta? No filme Contágio, de 2011, aprendi o que é fômite: qualquer objeto inanimado capaz de absorver, reter ou transportar organismos contagiantes ou infecciosos. Pode ser uma sola de sapato, um corrimão, uma toalha, uma mesa, um botão de elevador, qualquer coisa em que uma pessoa contaminada tenha tocado ou bafejado.

Mas esse medo natural pode se tornar descontrolado e despertar os nossos piores instintos. Diante de ameaças imaginárias ou reais, podemos nos tornar extremamente egoístas e selvagens. A ignorância também é viral. Associar o risco de contágio a pessoas com traços asiáticos apenas por suas aparências, sejam elas chinesas, coreanas, japonesas ou mesmo brasileiras, como no caso da jovem carioca, é o suprassumo da estupidez.

Precisamos nos precaver, também, contra o vírus da desumanidade.

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