José Lino Souza Barros

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A ‘vida normal’ que conhecemos não existe mais.

Da jornalista Rita Lisauskas

15/04/2020 às 01:03
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Desde pequenos somos ensinados que tempo é dinheiro, pra frente é que se anda, “quem fica parado é poste”. Por isso nem sempre pudemos dar um tempo para refletir sobre qual era o melhor caminho a seguir e nem deixar para amanhã o que não se tinha maturidade para decidir hoje. A vida sempre nos impôs pressa e ensinamos essa urgência para os nossos filhos, mesmo sem perceber. ‘Vai logo’, ‘coloca a roupa rápido’, ‘assim a gente vai se atrasar’ – são frases que falamos o tempo todo enquanto puxamos as crianças pela mão, obrigando que apertem o passo e deixem as pequenas descobertas e prazeres do dia a dia de lado. Só que desde que o coronavírus nos trancafiou em casa, jogou a chave e o relógio fora e nos presenteou com dias que são exatamente iguais ao de ontem e idênticos ao de amanhã não temos mais porque correr com eles. Ir para onde? (...)

Mesmo nessa nova realidade, onde tudo está em compasso de espera, o corpo insiste em acordar no mesmo horário, os e-mails chegam e nos impõem prazos, as aulas on-line dos nossos filhos começam e pedem rotina. Parte do mundo quer manter a roda girando como garantia de que daqui a pouco, “quando tudo isso passar”, poderemos retomar a vida do ponto exato onde paramos. As crianças de volta à escola reabririam o livro na página 25 enquanto a gente, já no escritório, planejaria entre uma reunião e outra o próximo happy hour com os amigos.

Mas nada nos aponta que a vida volte ao normal, não para aquele ‘normal’ que conhecemos. (...) Existe a possibilidade de que a gente não tenha mais dinheiro para pagar as contas todas no final do mês. Eventos e aglomerações em geral como festinhas, teatros e shows podem ficar um tempão sem entrar na nossa agenda. A tendência é que esse ano seja de recolhimento máximo e que a gente tenha que lidar apenas com nós mesmos e a família mais próxima. (...)

Não temos mais por que ter pressa. Como estamos impedidos de sair correndo para a natação, consulta médica, reunião ou para os muitos compromissos de uma outra quarta-feira qualquer, decidimos que a boa pedida da tarde era dormir no sofá, algo que a gente não se permitia fazer há tempos, mas que esse ‘novo normal’ nos impõe como o mais certo a se fazer agora. Quem diria...

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