José Lino Souza Barros

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Estar em casa

Da escritora Lya Luft

17/04/2020 às 12:10
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Nestes tempos esquisitos, que deixam todo mundo assustado sem saber nada direito - e às vezes nem querendo saber mesmo, pois seria dramático demais -, tenho refletido sobre a dificuldade das pessoas de ficarem em casa.

Pior ainda, com mulher, marido, filhos. Uma das loucuras deste nosso universo, dito moderno, é a despersonalização dos lugares, dos afetos, do convívio. A casa, o dito lar, deveria ser o melhor lugar do mundo. Simples ou luxuoso, longe, pertinho, decorado por profissional ou, de preferência, conforme gostos e amores dos donos da casa, deveria ser, sim, nosso lugar preferido.

Um pequeno paraíso, ainda que com geladeira velha, sofá cambaio, tapete puído, cortinas desbotadas, chuveiro pingando, mas... nosso. Alugado, emprestado, comprado e pago, mas... nosso. Meu lugar no mundo, onde posso ter o privilégio de conviver com as pessoas que amo. O difícil, complicado, essencial grupo familiar, ou até mesmo sozinho. (...)

"Como? Agora tenho de ficar em casa? Aguentar mulher, marido, sogra, mãe, filhos barulhentos, o dia inteiro? Lidar com o tédio, pois não sei o que fazer?" Que civilização no mínimo bizarra nos tornamos?

Assustados - embora muitos digam que de jeito nenhum -, ficamos mais agressivos. Confundimos política com saúde e sobrevivência, esperneamos feito a criança que cai, se machuca e, quando alguém chega para ajudar, fica furiosa, a raiva disfarçando o medo.

Com essa tragédia viral que nos assola de um ponto da Terra a outro, talvez a vida, enigmática sempre, queira nos mostrar que é hora de virarmos aprendizes: aprendizes de modos diferentes, melhores, de ser e viver, e de conviver. Quem sabe, depois de passada essa verdadeira peste, acordaremos uma humanidade mais amorosa, mais amiga e tolerante, menos atrapalhada, menos apressada, menos insatisfeita, menos raivosa... menos pronta a criticar, a apontar o dedo acusador... quem sabe?

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