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Utopia para realistas

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), está propondo a criação de um imposto sobre as grandes fortunas para bancar uma renda básica de R$ 500 a todos os brasileiros que carecem de condições mínimas de sobrevivência

26/08/2019 às 06:13
Utopia para realistas

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), está propondo a criação de um imposto sobre as grandes fortunas para bancar uma renda básica de R$ 500 a todos os brasileiros que carecem de condições mínimas de sobrevivência. Ele estima que boa fatia do fundo iria para jovens de 15 a 29 anos, cuja renda familiar per capita é inferior a um salário mínimo e que, por isso mesmo, tem de abandonar a faculdade, engrossando a lista dos 30 milhões de desempregados e pouco qualificados brasileiros. Mas, também seriam contemplados os idosos entre 60 e 65 anos, ou seja, aqueles que não atingiram o chamado Benefício de Prestação Continuada (BPC) e as crianças cujos pais também não recebem um salário mínimo mensal. Calcula-se que seriam necessários R$ 30 bilhões e, para tal, quer taxar as fortunas mais ou menos assim: quem tem mais de R$ 10 milhões de patrimônio pagaria 0,5% do imposto e aqueles cuja fortuna pessoal ultrapassa R$ 60 milhões pagariam 1%.

É claro que você pode dizer que ele está louco. Como o Brasil está enlouquecido neste debate banal entre esquerda e direita vai ouvir que é mais uma do PT, um partido sempre ocupado em gastar o que é dos outros...

Eu também sou um decepcionado com o partido do deputado. Eu também acho que, depois da saúde, o melhor presente de Deus é o trabalho, que nos dá dignidade e cabeça erguida para enfrentar os pessimistas, os chatos e os invejosos. 

Mas esse debate transcende ideologias, convicções partidárias e sonhos de uma noite de inverno. Ele é necessário, para não dizer urgente. O mundo do trabalho está mudando e... Má notícia: não haverá ocupação para todos. Então, ou a gente pensa em uma renda básica, isso mesmo, fome zero, distribuição de dinheiro, seja lá que nome a gente quiser dar, ou não haverá paz porque a fome vai aumentar e tornar insustentável o mundo como conhecemos. 

Não acredita? Acha que estou sofrendo de demência comunista? Acesse o Google e clique em renda básica universal. Você verá que é tema antigo e planetário. Quer ficar perto do convencimento? Leia o livro “Utopia para realistas”, do renomado historiador holandês Rutger Bregman, que explica como poucos porque este é o nosso futuro e, ao final, nos dá dois conselhos: “1) tem muita gente que pensa como você – o mundo é corrupto, de ambição desmedida, etc., mas, olhe em volta, procure, você vai ver que a maioria das pessoas tem o coração no lugar certo; 2) cultive a autoconfiança e a resistência às críticas. Não deixe ninguém lhe impor uma opinião ou desanimá-lo. Se quisermos mudar o mundo temos de ser idealistas, insensatos e impossíveis. Lembre-se: aqueles que reivindicaram a abolição da escravidão, o voto feminino e o casamento entre pessoas do mesmo sexo já foram chamados de lunáticos um dia. Até a história provar que eles estavam certos”.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

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