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As catástrofes invisíveis

27/01/2020 às 12:27

A dor do pobre só é percebida pela maioria mais abastada nas tragédias. No dia a dia, ninguém vai a uma favela para ver o nível de carência, em todos os sentidos. Sequer temos a preocupação de diminuir a velocidade, ao longo de vias como o Anel Rodoviário, para observar os barracos improvisados, cobertos por uma lona preta que é mais gelada no frio e insuportavelmente quente no calor. A gente finge não ver os mais de 5 mil irmãos que eram chamados mendigos, mas, agora, pelo politicamente correto, são chamados “em situação de rua”, só em Belo Horizonte. 

Quando há um fato atípico, como chover muito e, em consequência, pessoas sofrendo, todos boquiabertos, governantes se mexem, a TV liga os links ao vivo e o rádio não para de falar.

Depois, quando a terra seca, no lugar de providências efetivas, voltamos à rotina. A diferença de repercussão dos anos 70 quando a situação era ainda pior em Belo Horizonte para os dias atuais é a rapidez na exposição de fotos e filmes que as mídias sociais permitem.

Mas, acreditem caros leitores, as grandes tragédias, do ponto de vista de sociedade doente, às vezes passam despercebidas do grande público.

Quero contar três.

A primeira é um vídeo que circula no whatsapp e vem de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo, onde comerciantes desesperados atiram no meio da enchente para afastar os jovens saqueadores de suas lojas.

A segunda é uma participação de repórter global quando aborda uma mulher que carregava objetos e, sem a menor cerimônia, disse que eram doações: “A senhora é também da área atingida?” perguntou a repórter, ao que a cidadã respondeu: “Não, mas, já que estão dando...”

Por fim, o caso do Jardim Alvorada, onde a repórter da Record entrevistou a mulher, ao lado dos filhos, logo após receber ordem de abandonar o barraco. E ela, diante das câmeras, jurou que ia cumprir a ordem. No outro dia, a mesma repórter Shirley Barroso cobriu a retirada dos corpos de mãe e filhos do meio da lama. Sem vida. Embora houvesse alimentação no abrigo em que ficariam, contam os vizinhos que ela voltou porque queria dar aos filhos a comida que estava na panela: pé de galinha.

É muita tragédia para um país só.

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