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Dossiê Rodriguinho

Perdas, ganhos, possibilidades táticas, de escalação...

17/01/2019 às 02:32
Dossiê Rodriguinho


Quando era a reserva técnica do América, Rodriguinho tinha um perfil bem comum de “camisa 10” brasileiro: bom de bola, refinado, inteligente, porém um tanto inconstante, não muito confiável; pouco ligado, competitivo. A transformação pela qual o meia passou com a transferência para o Corinthians foi tão surpreendente quanto acentuada; até como segundo volante com assídua participação no combate e extrema eletricidade ele chegou a atuar. Justamente por unir considerável grau de regularidade, com superior capacidade para ser agudo, veloz, carregador de bola, entre o Rodriguinho que deixou o Timão, e o Thiago Neves da temporada passada, prefiro o primeiro. Eles podem jogar juntos? Claro que sim. Mas no formato usualmente utilizado por Mano, e pensando também em Robinho como titular, a tarefa não é exatamente, digamos, tão automática.

Uma das marcas da carreira recente de Rodriguinho é precisamente a versatilidade. Meio-campista de área à área num 4-3-3/4-1-4-1; segundo homem de meio-campo e arquiteto central de um 4-2-3-1; atacante infiltrado fazendo par com Jadson num 4-4-2 – muito se falava, na época, de um 4-2-4 – com duas linhas de quatro formado por Carille que abria mão de uma referência: eis alguns ofícios exercidos pelo ex-jogador do Coelhão. Laborar pela beirada, contudo, fazendo aquele vai e vem, acompanhando o lateral, dando alguma amplitude, nunca foi uma das incumbências deste futebolista. É óbvio que seria possível pensá-lo como um exemplar de “meia ponta”, que tem sido comum no futebol brasileiro e o próprio Cruzeiro vem utilizando nos últimos anos – com Robinho. Mas juntá-lo a este último e à TN30, de certo modo, talvez deixaria o “índice” de “cadência” muito alto – e “proporcionalmente”, o de aceleração deveras insuficiente. Arrascaeta adaptou-se ao trabalho pelo flanco canhoto, é verdade, inclusive recompondo com frequência adequada para auxiliar Egídio. O Uruguaio, entretanto, comparativamente, em termos teóricos, parece menos distante da figura de um “atacante de lado” do que o ex-ídolo da Fiel.    

Além da consistência absurda, e das suas amplas qualidades gerais, Romero como segundo volante, à frente de Henrique, com ou sem Rodriguinho na vaga direta de Arrascaeta, poderia amenizar/compensar o possível baixo teor de verticalidade da equipe. O argentino, mais do que Cabral e Lucas Silva, mostra-se capaz de aproveitar, de atacar os espaços conduzindo a bola. Todavia, pelo que vimos nesses mais de dois anos de Mano Menezes, e até pelos treinamentos dessa pré-temporada, o comandante celeste enxerga “El Perro” basicamente como um primeiro cabeça-de-área – costuma entrar, seguindo este raciocínio, sempre no posto de Henrique. Para mim, valeria testá-lo com mais assiduidade como segundo volante e ao lado deste último: afinal, noves fora o provável mencionado ganho na fase ofensiva, no que tange ao dinamismo, à fluidez, o time se fortaleceria em marcação – sem perder talento puro.

No ano passado, a decantada – e muitas vezes falsa, inexistente – inaptidão do Cruzeiro para “propor”, “jogar mais”, não raramente ocorria simplesmente porque Robinho e Thiago Neves chegavam a dado estágio das partidas esgotados fisicamente; isso gerava uma espécie de passividade oriunda da impossibilidade de ficar com a bola no campo ofensivo, amassar minimamente, contragolpear mais impune e incisivamente, que era confundida com covardia do técnico, estratégia deliberada de só esperar. Esse panorama possivelmente também melhoraria com a entrada de Romero como segundo volante – a competitividade, a vivacidade, o vigor... E tal acréscimo de combatividade, até físico, talvez seja ainda mais necessário numa eventual escalação com Rodriguinho, Thiago Neves e Robinho juntos.

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