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Galo: Levir, tática, os volantes...

Intriga como muitos jornalistas no Brasil desprezam o que não conhecem... 

03/04/2019 às 09:47


Escrevi recentemente sobre como o Galo necessitava resolver certo dilema: com Chará decepcionando, Elias não rendendo por ali, Terans não passando confiança e sendo mais um meia do que uma típica alternativa de beirada, quem se firmaria como o cara para compor a linha de armadores com Cazares e Luan? Pela esquerda, Maicon Bolt foi a escolha para começar o duelo contra o Boa – quando teve satisfatória atuação; se não foi brilhante, tampouco comprometeu, e apresentou mais constância/qualidade que os anteriores ocupantes deste posto – e deve ser titular hoje. Bolt, em teoria, entrega mais profundidade – Levir anda sempre com um ar cômico ao falar esta palavra nas entrevistas – do que Elias e Terans, por ser mais ponta, condutor de bola, atacante, vertical. No que tange ao tipo de futebol que ostenta, é similar à Chará. Mas aí a fase, o número de chances não correspondidas, pesa. Logo, nesta quarta, na medida em que Luan e Cazares seguem absolutos, a peça para completar a trinca de arquitetos há mesmo de ser Maicon Bolt. Num curto prazo, Geuvânio entrará nesta luta mais diretamente, pode ser considerável concorrência.

A opção por Bolt no time em Varginha mudou um pouco a circulação de Luan – se tivermos como base o trabalho que ele realizava com maior frequência no Atlético. Como o primeiro, nos moldes ventilados, abre o campo, vai mais ao fundo – o que é ótimo para Fábio Santos, diga-se –, permanece em geral mais próximo à lateral, Luan ficou menos aberto, transitou um pouco mais pelo centro, num movimento similar ao que Robinho executa no Cruzeiro – “ponta-meia” pela direita; sujeito que periodicamente abandona o flanco (seu posicionamento primordial) para contribuir na construção por dentro. Caso este tipo de expediente se repita, e se prove bem ensaiado, o Galo tem tudo para corrigir alguns dos defeitos que têm sido comuns nos seus momentos ofensivos; com Luan passeando mais próximo de volantes e armador (Cazares), a falta de compactação, de tabelas, toques rápidos pelo meio, pode diminuir; ademais, afunilado como uma espécie de criador clássico, o Menino Maluquinho, por vezes, fará o labor de Cazares, que terá então, potencialmente, mais liberdade para entrar na área, se transformar num segundo atacante, e se aproximar de Ricardo Oliveira – invariavelmente prejudicado por ficar bastante isolado.

Outro setor que precisa ser apreciado com cuidado no alvinegro é o dos volantes. Zé Welison vive situação estranha: mostrou, no início da sua trajetória em MG, bons rompantes na esfera técnica; parece, porém, desconcentrado, sem tempo no combate em circunstâncias que o levam a tomar cartões bobos – já foi expulso duas vezes. Fica no ar uma hesitação no sentido: “insistir com este atleta por virtudes que ele já revelou, ou a queda de rendimento e principalmente os desvios disciplinares recorrentes devem ocasionar uma desistência momentânea dele”? Jair brilhou diante da URT, deu esperança à torcida e... Ficou por isso mesmo. Adílson e Elias, outrora questionados – com razão –, voltaram, pelas deficiências dos outros, e não tanto por méritos próprios, a ser cogitados com mais “carinho”. Como diria o excepcional PVC, time desorganizado afunda jogador mediano. Como o esquadrão de Levir anda me parecendo pouco alinhado, destreinado, esse lado coletivo há de ser contextualizado nas avaliações individuais destes volantes. Será acaso todos estarem mal? 

Ainda sobre os responsáveis pela marcação no meio, vale lembrar: a aposta em Blanco era contundente. O azar atrapalhou muito, clube e jogador. Talvez tenha faltado tino e agilidade para diagnosticar que, sem ele, algo mais seria preciso no setor. Matheus Jesus surge como tentativa interessante. Não sei se suficiente...  

Hoje o Atlético pega o Zamora e segue me intrigando como inúmeros jornalistas que porcamente assistem aos jogos dos times daqui cravam com ar excessivo, em diferentes searas, que a equipe da Venezuela é péssima “tecnicamente”. Clichês, populismo, mostrar “firmeza”. Honestamente, por mais que colha informações sobre este adversário do Galo, ainda não me considero apto para uma mensuração minimamente exata da capacidade dele. Posso dizer, apenas, que, na derrota para o Cerro, os venezuelanos tiveram atuação bem digna, exibiram ótima organização... 

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