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Talvez eu esteja sonhando...

“Parem de se ofender, parem de brigar, parem de insultar. Parem de sacanear uns aos outros. Parem de mentir. Parem de colocar em campo menos do que podem…”

27/09/2019 às 10:06

Amigos, essa semana tivemos a premiação da FIFA para os melhores do ano, o “The Best”. Na contramão de tudo o que acontece no Brasil, Jurgen Klopp, treinador do atual campeão da Liga dos Campeões, Liverpool, ficou com o troféu de melhor técnico do mundo. Um dia depois do título, e fez uma carta aberta agradecendo pelo prêmio e contando um pouco de sua trajetória até aqui…. até se tornar o melhor do mundo em sua função (surreal, né?). 

Pois bem. Li a carta de Klopp com muita emoção e tristeza. Foram muitas lições em poucas linhas, e poucas pessoas vestindo a carapuça entre muitas que deveriam. Entre elas, os futebolistas brasileiros e atuantes no Brasil. 

Para começo de conversa, o título da carta de Klopp é: “talvez eu esteja sonhando”. E, não, ele não estava falando unicamente do título que acabara de receber. Falava do real posicionamento dos jogadores, que faço questão de citar: 

“Não podemos esquecer como era nossa vida quando tínhamos problemas reais. Essa bolha que vivemos não é o mundo real. Me desculpem, mas nada que acontece num campo de futebol é um problema de verdade. Deve existir um propósito maior do que renda e troféus, não?”

Isso é uma coisa que sempre me vem à cabeça, desde adolescente, quando sofria mais pelo futebol, que aquilo não podia ser maior que outras coisas na minha vida. Mas ao mesmo tempo que o futebol ‘não é só futebol’ ao transformar tantas vidas - inclusive a do Klopp -, ele corrompe. E o que estamos vendo no futebol mineiro, amigos, está muito longe de parar nas quatro linhas. 

Gostaria de ver a torcida do Cruzeiro, junto à diretoria e jogadores, democraticamente lutarem pela história das cinco estrelas. O clube está rachado, cada hora um fala uma coisa que não vai de acordo com o que outro disse. E o time em campo espelha cada vez mais essa desestrutura. 

No Atlético, a falta de planejamento falou mais alto que a sorte, e o time limitado não ultrapassou as expectativas. Gostaria de ver a diretoria botando o pé no chão, sem iludir, jogando a real de que a contenção de gastos fez do ano um período de reestruturação. Mas o que vejo é mais uma temporada empurrada com a barriga, sem foco, sem propósito.

E tudo isso chateia muito a nós, mineiros, que estamos envergonhados com o futebol de hoje, que nos últimos anos foi de títulos e grandes disputas no cenário nacional e internacional. Mas volto a Klopp para amenizar essas dores ressaltando que futebol não é tudo na vida, senão um meio de transformação POSITIVA, e que o dever das pessoas que trabalham com o esporte é assim movê-lo. 

Parem de se ofender, parem de brigar, parem de insultar. Parem de sacanear uns aos outros. Parem de mentir. Parem de colocar em campo menos do que podem. Parem de prometer o que não vão cumprir. Parem de brincar com o sentimento dos torcedores. Parem de pensar em dinheiro. Parem de transferir responsabilidades. Parem de politicar. O que antes era um pênalti cavado hoje é a jogada fora de campo. Parem de farsas.

Estou feliz por ter lido Klopp, triste por ver que somos uma ingênua minoria e alegre por ter entendido o que de fato é nosso propósito. Talvez eu esteja sonhando, mas, como ele disse: “para quem é esse jogo? Todos sabemos muito bem que esse jogo é pra sonhadores.” 
Volta, futebol, Minas Gerais também é sua casa! 

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