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A dança dos donos da bola

Parece estar mais fácil resolver o jogo fora das quatro linhas…

28/09/2018 às 07:14

Amigos, encerrei minha última coluna com uma frase de Nelson Rodrigues que preciso trazer à tona novamente para refrescar-lhes a cabeça: “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…”

Isso aí já está enraizado em nós. Por mais que não falte idiotas da objetividade para justificar o futebol em números, sua origem no entretenimento não nega. Sempre tento frisar isso, e manterei: é dramaturgo aqueles homens em campo correndo, caindo, encenando.

Pois bem. O papo passado era a expulsão absurda de Dedé contra o Boca Juniors. Espantou gregos e troianos. Mas nem por isso a guerra terminou. Foi uma trégua, apenas do apelão, que, no caso, foi a Conmebol. Fora isso, tudo voltou a sua santa desordem.

Vamos às explicações: o Cruzeiro, que chorou sua injustiça na quarta-feira passada (24), perdia, nesta semana, diante do Palmeiras, qualquer razão de sanidade ao ver seu time cair na porrada com os adversários pós-jogo.

O adversário, por sua vez, foi quem começou a briga depois de ser eliminado. O Palmeiras não chorou injustiça em campo, foi tentar no braço. Mas duas semanas antes (17), no jogo de ida, em São Paulo, pedia VAR até para batida de lateral. Parece estar mais fácil resolver o jogo fora das quatro linhas…

Em falar nisso, a apelona Conmebol, a dona da bola que queria parar a brincadeira, resolveu entrar no jogo de novo, agora com uma cena totalmente fora do contexto: ‘desavermelhar’ o Dedé de sua expulsão - para sempre absurda - contra o Boca Juniors.

Amigos, o vilão não pode voltar à cena do crime e tirar a bala do peito do mocinho. Isso nunca esteve no script. Imagine, você, se todos os antagonistas e protagonistas resolverem dar o tom em suas cenas? Isso é fantasiar dentro da imaginação, e isso não existe.

Aliás, o que não existe mesmo é a decisão de tirar a decisão do infeliz juiz, que estava em cima do lance, foi lá na TV vê-lo novamente e quis expulsar. Isso não foi um erro. Isso foi uma concreta decisão. Ele quis que aquilo acontecesse. E se a Conmebol quis colocá-lo em campo, como o maestro dessa ópera, não dá mais para silenciar a música. A nota final foi dele, e dar outro tom neste momento é abrir precedente para que todo mundo queira entrar nessa dança.

Sei que estou parafraseando demais, mas toda essa modernização vai acabar fazendo o futebol, em si, dançar a valsa dos ignorantes.

É melhor mesmo voltarmos aos tempos raíz, assim como esses jogadores que queriam decidir no tapa. Bora retroceder, todos nós, com eles, e esquecer VAR, instituições, dinheiro e tudo mais. O que não muda é que sempre haverá mocinhos e vilões… mas que o cenário se mantenha dentro das quatro linhas, protagonizado pela bola.

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