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Seja bem-vindo, Diego Tardelli 

"eles compraram o futebol. Só não se esqueçam de que torcedor não está à venda, e o atleticano segue aqui"

13/02/2019 às 04:13

Lucas Uebel/ Flickr Grêmio


Na noite em que o Atlético definia sua passagem para a terceira fase preliminar da Copa Libertadores da América, um ídolo do clube - que se tornou parte desse seleto grupo justamente pela conquista da competição citada - foi anunciado como reforço de um outro time brasileiro. Diego Tardelli agora é jogador do Grêmio. 

Por um projeto de carreira? Por identificação? Por sonho? Por proximidade à seleção? Não, não, não e não. Por dinheiro. O mal nem-sempre necessário. Prova disso foi que, além do tricolor e o alvinegro, o Corinthians também o queria, e a decisão entre os três foi tomada em razão da pedida salarial. O famoso ‘quem paga mais’.

Da sua estreia nas categorias de base do Santos, em 1999, até sua chegada ao Grêmio, passam-se 20 anos no futebol. Nessas duas décadas, Diego Tardelli teve uma carreira gloriosa. Do Oiapoque ao Chuí, ou do Brasil à China - literalmente -, como queiram, o atacante conquistou títulos nacionais e internacionais, e a chance de fazer sua vida profissional e pessoal deslancharem.

Para os torcedores, espera-se que as escolhas dos jogadores sejam como a de qualquer outro trabalhador: ‘fazer a vida’ para conquistar a tranquilidade no fim da carreira, podendo escolher e ser o que bem entender. E a gente sempre acha que depois de fazer a vida financeira na China, a escolha do craque vai ser vestir a camisa que diz torcer e pendurar a chuteira ali. Nem sempre, meus amigos, nem sempre. Ledo engano.

“Novamente, perguntarão vocês: — “É maluco?” Nada de fazer-lhe esta injustiça. (...) Em suma: é um Narciso às avessas que cospe na própria imagem. Dirá alguém que será um caso único. Mentira. Único, vírgula. Na verdade, ao vê-lo, sinto, na sua figura, um símbolo nacional irresistível.” Resume bem Nelson Rodrigues o que vemos em nossos ídolos do futebol hoje em dia. Taí nosso símbolo nacional: o amante do cifrão. 

É por essas e outras que dou boas-vindas a Diego Tardelli, que volta ao antro do ‘quem paga mais, quem ama menos’. É por essas e outras que os melhores times do país são Grêmio, Palmeiras e Flamengo: eles compraram o futebol. Só não se esqueçam de que torcedor não está à venda, e o atleticano segue aqui, como diante do Danubio, admirando o que de fato importa: sua camisa, seu clube. 

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