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Não adianta gritar

E o VAR, coitado, mostrou, mostrou e mostrou o lance para o juiz - foi mais claro que a torcida quando mostra uma falta no grito - e deve agora torcer para a luz acabar e ele ser desligado. Melhor do que ficar gastando energia à toa.

20/09/2018 às 06:57

Hoje, não os chamarei de amigos e sim de cúmplices. Nada de vitimismo, mas somos cúmplices do VAR: nós, como ele, também vimos e reproduzimos, mas a invisibilidade do óbvio apitava Boca Juniors e Cruzeiro na noite de quarta-feira, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa Libertadores 2018.

Dois mil e dezoito, amigos, 2018! Quando achamos que o futebol iria ficar chato, virar um videogame de tanta tecnologia, dando preciosismo a cada bicuda na canela, disparada e bola no alambrado, eis que o novo trai. Aliás, o velho trai o novo. E há quem acredite que as máquinas controlarão os homens. São esses uns tolos ou desconhecidos do paraguaio Eber Aquino.

O juiz que faz o que ele fez no La Bombonera assume a responsabilidade, a grave responsabilidade perante os 22 jogadores, os bandeirinhas e auxiliares, gandulas, comissões técnicas, o VAR... Só aí já chegamos a 50 pessoas e uma máquina. Fora todos os passionais que estavam no estádio e toda a nação brasileira que se indignou. Até argentinos, surpresos, foram passados para trás pelo Aquino.

Não vou narrar o lance aqui. Qualquer um que abriu os olhos por um minuto que seja depois do acontecimento viu. Está em todos os lugares: na TV, no rádio, na internet, no ônibus, nos gibis. TODO MUNDO VIU! Repito: menos o juiz. O paraguaio consultou o VAR e voltou ao campo como a nossa Gisele, nas Olimpíadas, atravessando o Maracanã: com foco e suspense de protagonismo. Com o vermelho em mãos, desvendou o segredo inacreditável. Depois disso houve tudo, rigorosamente tudo, menos futebol.

Nem os jogadores favorecidos acreditaram. Os cruzeirenses em campo fizeram o Charlie Chaplin, em mímica, tentando dizer ao juiz que havia ali um equívoco. Acredito ser o susto do absurdo. Foram até cordiais. O que dramatiza, ainda mais, o feito. Ali vimos que o esporte não passa mesmo de um entretenimento e que só uma grande cena faz um grande jogo. Que me perdoe as novelas mexicanas e brasileiras, mas o Oscar de maior dramaturgia do continente vai para a CONMEBOL.

E o VAR, coitado, mostrou, mostrou e mostrou o lance para o juiz - foi mais claro que a torcida quando mostra uma falta no grito - e deve agora torcer para a luz acabar e ele ser desligado. Melhor do que ficar gastando energia à toa. Mas aí vem os caras dizer de sua importância e eu avisar, como bom amigo, de que logo isso virará uma dependência. E depender de imagem sem voz, amigos, já basta a dos jogadores e torcedores. Esses berram, apontam, acenam… e de nada adianta.

Como bem diria Nelson Rodrigues: “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos…”

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