Eduardo Costa

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O Carnaval merece uma trégua

17/02/2020 às 05:56

No “Conversa de Redação”  desta segunda fiz defesa entusiasmada dos blocos de rua na folia de Belo Horizonte e pedi às autoridades para não atrapalharem, criando regras em demasia, fazendo discursos de oportunidade ou aparecendo para faturar prestígio no que não ajudaram a construir. Também pedi paciência à população, por eventuais transtornos, pois, afinal, são apenas alguns dias. E sugeri aos “chatos” que arranjem o que fazer. 

Um ouvinte enviou-me o seguinte email:

“Prezado Eduardo,

Sou um dos chatos referidos por você no conversa de redação hoje. Mas será que estou tão errado assim? Quero simplesmente ter o direito de transitar pela cidade, mas como? Não vou conseguir nem tirar meu carro da garagem porque tem um monte de gente bloqueando minha garagem? Tenho que sair da cidade? Já gastei tanto com IPTU, IPVA e outros IPS e agora tenho que acrescentar mais uma despesa no meu orçamento, "fugir de BH no carnaval". Isso sem falar nos idosos e doentes que eventualmente podem precisar chegar a um hospital e não tem nenhum helicóptero disponível. Sou chato sim porque acho que isso tudo tá errado, falta empatia do poder público que deveria permitir essa festa (da qual não tenho nada contra) apenas em locais não residenciais. Absurdo ter que ver sexo explícito e pancadaria da janela do meu apartamento e me preocupando em não deixar as crianças verem as lamentáveis cenas desse nosso "lindo" carnaval. Sem mais, quer dizer, tem mais, mas já cansei de falar... deixa pra lá”.

Caro ouvinte,

Pelo texto, você não é um chato. Então, façamos um trato: eu retiro o adjetivo, até porque estou cansado de saber que generalizar é um perigo danado, e você tolera um pouco mais. Claro que se impedirem alguém de sair ou entrar em casa, a BHtrans deve ser acionada imediatamente; se alguém fizer sexo no meio da rua, a PM precisa tomar providência; da mesma forma que pancadaria será sempre um problema de polícia. 

Mas, pense meu caro, para cada excesso registrado teremos centenas de milhares de pessoas felizes. Outra coisa: a ocupação das ruas e calçadas pelas pessoas é o mais saudável que pode acontecer em uma cidade. Carnaval de rua, tem de ser na rua. E, considerando os impostos, o desemprego, a cerveja contaminada, o clima de ódio e até a ruindade de nossos principais times de futebol, você não acha que todos merecem ser felizes por uns dias? A experiência nos garante que quando tem muita gente feliz sobra energia boa pra todo mundo... Afinal, quando jogamos gotas de perfume no ar, algumas, inevitavelmente, cairão sobre nós. 

Um abraço, obrigado pela audiência e pela cobrança. E vamos exercitar a tolerância. 

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